Natureza Morta

01/05/2011 at 20:51 Deixe um comentário

12/04/2011 at 0:57 Deixe um comentário

Rascunho Caetano Veloso

03/04/2011 at 15:07 Deixe um comentário

Adeus José Alencar

30/03/2011 at 15:25 Deixe um comentário

Crise Nuclear no Japão

30/03/2011 at 15:23 Deixe um comentário

Enchentes da alma

Acordei com sede, muita sede. Despertado pelo barulho torrencial da chuva que lavava os telhados, ruas e os cachorros abandonados. Fiquei suspenso em minha desorientação até lembrar que estava com sede e levantei-me. Meus pés molharam. E isso não é normal, não é certo. Na penumbra vi que entrava água pelo vão do telhado com a parede. Merda, pensei. Caminhei até a cozinha, desci um degrau e molhei o pé novamente, desta vez foi o pé, tornozelos, até a panturrilha. Merda, falei. O mundo era água. Vi isso no mapa-múndi antes de abandonar a escola. Quanta água eu via agora. Estava com sede, mas já não queria beber água. Escutei um zunido, um estalo, um solavanco e tudo vieram pra cima. Merda, gritei. Minha casa começou a cair e eu corri como nos sonhos, lento, pesado, molhado na água barrenta como se fosse uma noite infantil urinada de medo do monstro no armário. Não havia monstro agora, era água. Água e velocidade e barro. Consegui sair por entres os escombros, rastejando até a porta da cozinha, minha sorte foi a mesa e a pia segurarem um pouco os escombros. Sai, levantei-me e olhei para trás, na minha porta corria um rio. Pelos lados, outras casas gemiam e gritavam, caminhei tentando entender, escorreguei e cai como mergulho olímpico na casa debaixo, amortecido pela água, desacordando mesmo assim. O fluxo me levou, desci a rua como um entulho humano. Parei no pára-choque de um carro. Alguém me pegou, me puxou, mas, talvez pelo medo de morrer, ou pela pressa, me deixou ali do lado, no chão barrento. Outras pessoas levaram-me para outro lugar. Fiquei desmaiado. Horas depois, acordei com sede, muita sede, estava encharcado. Percebi muita movimentação. Minha esposa gritava, minhas filhas gritavam. Despertei em um rompante de lucidez, a ficha caiu. Um trem bala passou pela minha cabeça e deixou as lembranças. Sai procurando minha família. Alguém me segurou, lutou comigo, “Estão procurando sua família, você precisa ficar aqui”. “Cadê minha esposa, minhas filhas” saía minha voz de lágrimas. “Estão soterrados pela enchente, sua casa e várias casas foram derrubadas pela força das águas. Tem muita gente debaixo da terra”. Corri até minha casa em destroços e chorei de ódio, remorso, dor e dor. Como não consegui salvar minha família. Como? O dia amanheceu, olhando ao lado havia destruição, mortes, corpos, e minha alma em enchente, galhos que perfuram o coração, água barrenta em ânsia de vômito, lágrimas que correm pelos restos dos lugares que talvez não exista mais. As casas, as autoridades limparão, as ruas também. Minha enchente fica por minha conta.

22/01/2011 at 16:57 Deixe um comentário

Noite feminina

Noite feminina

diverte-se com minha timidez:

língua áspera roçando o corpo nu.

Quais verdades estão em jogo?

Na aurora te perco sempre.

reencontro-te diferente.

Quantos segredos

guarda o tempo da sua existência?

Ainda não tenho sua confiança

Daí seu silêncio.

27/10/2010 at 2:18 Deixe um comentário

Eu falo uai e você?

Há um tipo de preconceito que poucas pessoas conhecem, mas é um preconceito muito grave. Praticamente todo mundo um dia já praticou esse preconceito e alguns arrogantes ainda o praticam: é o preconceito lingüístico.

Quando alguém tem dificuldades de pronunciar certas palavras, ou pessoas de regiões diferentes da região do receptor falam com sotaques característicos, como o nordestino, o baiano ou mesmo o carioca e achamos graça ou fazemos piadas, isso é o preconceito linguísico.

Preconceito lingüístico: é o deboche, a sátira, ou a não-tolerância em relação ao modo de falar das pessoas.

A língua falada é viva, sofre mutações de região para região, diferentes idades e classes sociais. A língua falada se adéqua ao falante. Do outro lado existe a língua culta que segue as normas da gramática normativa. A briga histórica que acontece desde a escola até a fase adulta e que já perdura há tempos é tentar eliminar a linguagem falada, instruindo, desde criança, à gramática padrão e coibindo os efeitos da língua falada no dia-a-dia.

No Brasil existe ainda uma enorme diversidade de dialetos, palavras diferentes para designar coisas diferentes. Querem um exemplo?

A palavra peixeira.

No nordeste, ela serve para designar um tipo de faca de grande porte, usada geralmente em trabalhos agrícolas. Já, no sul, uma peixeira significa, no máximo, uma  mulher que vende peixes, nada mais. Podemos ir além: Lá no interior do nordeste, em uma família pobre, de nenhuma forma alguém vai falar em peixeira, mas sim em pexêra. E alguém aí acha que está errado? Que as pessoas vão pensar: “Pexêra? Mas de que diabos ele está falando?”. É claro que não, todo mundo vai entender perfeitamente.

Para Marcos Bagno (2002, p.16):

Embora a língua falada pela grande maioria da população seja o português, esse português apresenta um alto grau de diversidade e de variabilidade, não só por causa da grande extensão territorial do país — que gera as diferenças regionais, bastante conhecidas e também vítimas, algumas delas, de muito preconceito –, mas principalmente por causa da trágica injustiça social que faz do Brasil o segundo país com a pior distribuição de renda em todo o mundo. São essas graves diferenças de status social que explicam a existência, em nosso país, de um verdadeiro abismo lingüístico entre os falantes das variedades não-padrão do português brasileiro — que são a maioria da nossa população — e os falantes da (suposta) variedade culta, em geral mal definida, que é a língua ensinada na escola.

Com toda essa pluralidade seria necessário que as escolas se adequassem a essa realidade. O ensino se baseia em uma só norma, a Gramática Culta, mas o Brasil fala de várias formas e não valorizar essas variantes da fala é preconceito lingüístico. Então eu falo “uai”, o baiano fala “oxente” e assim por diante.

20/10/2010 at 18:20 1 comentário

O filho do palhaço

O filho orgulhoso tinha vergonha do humilde pai ser palhaço em um circo de lonas furadas. Não contava aos seus amigos equivocados da arte viril de seu carente pai. Jogou isso na cara e ao vento que, para ele, palhaço era a coisa mais sem graça do mundo.
Foi-se, pensando ter acertado o rumo. Estudou exatas e tornou-se engenheiro. Mas como o gosto do cimento, cresceu amargurado. Seu pai jogado à poeira das estradas e às risadas das platéias, nunca mais se encontraram.
Um dia recebeu a notícia que seu pai estava prostrado. Em seu leito imerso somente em lembranças.
O filho, não tão bem sucedido na carreira, visita o pai em lençol.
- Pai, eu errei, fiz tudo errado. O senhor me perdoa, me perdoa? Pai me ensina a ser palhaço? Pai me ensina a ser palhaço? Pai me ensina a ser palhaço?
- Isso não se ensina, seu merda! Respondeu o pai e morreu!

24/09/2010 at 17:16 Deixe um comentário

Por que aprender Literatura?

Não estudar Literatura é o mesmo que renegar todo o acúmulo cultural que o homem, através de sua trajetória, registrou utilizando-se da arte da palavra.
Imagine que se de geração em geração tivéssemos que estudar todas as fórmulas de  remédios, criar todos os software novamente, se cada ser humano, quando nascesse, não recebesse de seus pais e sociedade nenhuma carga cultural. Em vez de ensinar a ler, teríamos antes que  inventar novamente o alfabeto e assim por diante. Isso não é preciso porque o homem consegue acumular conhecimento e passar para os descendentes. Então se hoje conseguimos falar ao celular com o mundo inteiro é porque um dia lá no passado alguém iniciou essa pesquisa e seus resultados foram agregados a outros e que por fim veio culminar na tecnologia atual. Todo conhecimento, de práxis, nos tempos modernos, é transmitido através de livros, ou seja, da Literatura. A Literatura, assim como outras formas de expressões artísticas, registra as experiências dos autores, transmitindo para a posteridade as sensações de sua época.  A Literatura ainda tem como função o prazer estético, entretenimento, transgredir nossa realidade nos levando a outros lugares.  A pessoa que tem o hábito da leitura, ou melhor, exerce a Literatura, consegue, mesmo que nunca tenha viajado o mundo, grandes referências sobre várias culturas diferentes, costumes, passagens históricas, etc. Estamos na Era da Informação. A internet dispõe de um universo infinito para ser explorado intelectualmente. Hoje se destaca profissionalmente quem tem melhor formação cultural. O cidadão que conhece a literatura, a arte, a música de seu povo, ou seja, a cultura local, conseguirá melhores condições de vida,  conseguirá  educar melhor seus filhos, saberá tomar as decisões mais corretas, sabendo, pela sua bagagem cultural, o que já deu errado no passado.
O que tentei explanar e exemplificar nesse artigo é que as aulas de literatura nas escolas, não são somente estudar escritores que já morreram, ou aqueles sonetos que não entendemos nada, ou mesmo descobrir o que aquela metáfora quer dizer realmente.  Aprender literatura é conhecer a si mesmo, sua sensibilidade perante seus anseios internos e externos. É dar voz a sua personalidade, saber o que realmente te faz reagir ao mundo que o cerca.

22/09/2010 at 19:55 Deixe um comentário

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